Eu poderia partir
Para qualquer lugar
Que fosse só meu
Deixar-me ficar
A procura de sonhos seus
Mas, aqui estou eu
A espera de um destino
Que nem mesma sei se Deus me deu
Já não sofro
Portanto não vivo
Já não choro,
Pois não consigo...
Janaina Alves
Eu poderia partir
Para qualquer lugar
Que fosse só meu
Deixar-me ficar
A procura de sonhos seus
Mas, aqui estou eu
A espera de um destino
Que nem mesma sei se Deus me deu
Já não sofro
Portanto não vivo
Já não choro,
Pois não consigo...
Janaina Alves
Como pode idênticas situações repetirem-se tanto?
Tantos sentimentos e venenos sendo destilados pela amargura e rancor.
Aqueles sonhos de dez anos atrás hoje em dia são pesadelos.
E por mais que se questione, a nenhuma resposta pode se chegar.
Caminhamos inertemente para um abismo, não importa se procuramos ouro, amor, saúde... tudo é um mais profundo abismo.
Nos contentamos quando atingimos o objetivo e, depois daí a vida pode acabar-se. Aí vem a estagnação. Começamos a viver como um lago, onde não há balsas para movimentar as águas e nem pedras que fazem ondulações.
O marasmo destrói qualquer coisa, cria lodo e qualquer um que esteja do lado de fora fica com medo de entrar, por medo do lodo imundo.
Então o lago fica sozinho, tranforma-se em uma pântano e só atrai a si mesmo.
Janaina Alves
Se eu pudesse racionalizar os meus pensamentos talvez fosse mais fácil pra mim. Mas essa inconstância é que me faz crer que nada acontece. Sinto-me como um fantoche que baila para lá e para cá e não sai do lugar, é uma contradição, mas que ao meu ver, faz o maior sentido.
Afinal, a vida é repleta de contradições.
Eu queria escrever por alguns momentos todas as coisas, as agradáveis e as desagradáveis também, seria pratico colocar tudo em uma caixa, bem grande, e, feia, assim ninguém se interessaria por ela - vide Pandora, esquecida num canto escuro e frio de um aposento não muito visitado. E lá todas as dores, tristezas, decepções, alegrias e mágoas, ficariam magoadas, seríamos seres detentores de nós mesmos. Porque o que deturpa o ser humano são as lembranças, os sentimentos.
Sabe por que[ Às vezes se esta terrivelmente feliz com a vida, até que no rádio toca uma canção que lhe faz lembrar de uma cena, uma frase, um gesto... e aí a noite, o dia, ou seja lá o período que for acaba-se, o mau humor instala-se, não se brinca mais... e o contrario também acontece: a maior fossa de todas e, alguém lhe relembra algum fato passado muito engraçado e feliz. Pronto! A tristeza foi embora, e, seu rosto é só alegria, mesmo sabendo que não vai durar nada, mesmo diante de toda fragilidade da alma; a gente se engana e acha melhor viver assim, nessa farsa emocional.
Ninguém entende quando um colo é pedido
"É necessário ser forte sempre", é o que dizem, mas o que é ser forte[ não reclamar, é não chorar, não, não, não.... É uma idiotice, ter de reprimir os sentimentos, os desejos, os sonhos escaldados. É esse medo absurdo de "não sei o quê", que nos leva para mais longe dos nossos objetivos. Falo isso da boca pra fora, pois tenho um medo quase tocável de exprimir as coisas, tá vendo eu nem consigo classifica-las. Medo de dizer não, de me ouvir, muitas vezes sei que tenho razão, mas evito, deixo pra lá. Talvez seja uma prática meio comodista, mas é bem melhor assim; não há aborrecimentos. Nos emaranhados num abismo e não sabemos como sair. Há sempre uma busca, mas é na procura que se desfecha o erro. É preciso livrar-se dos floreios. Pra que tentarmos tanto, quando sabemos que haverá apenas um fim. É preciso resistir essa coisa esmagadora que chamamos de vida.Tenho medo, como já disse antes, mas a única coisa que tenho razão é que amanha, será outro dia.
Janaina Alves
Elle veio aqui.
Está tornando-se um hábito.
Um mal hábito por sinal, mas o que posso fazer?
Eu peço que acabe, mas é aí que tudo começa.
Não sei o que fazer, e, nem por onde começar.
Janaina Alves
Eu busco por momentos de reflexação e paz.
Eu só quero ser feliz e buscar os desejos que deixei embaixo do tapete da alma.
Há sofrimentos desnecessários que não consigo mudar, todo esse meu jeito de pensar e encarar a vida.
Dizem que no fundo do poço tem uma mola, a minha enferrujou-se e ficou partida, fiquei a ver navios.
Tento não me desesperar, porém, por mais que tente, eu sofro, sofro e tento cair, como um anjo caído.
Janaina Alves